domingo, 26 de maio de 2013

Em noite de Duda, Fla supera o São José na bola e está na final do NBB

Duda Machado basquete Flamengo (Foto: Celso Pupo / Ag. Estado)
Duda Machado brilhou no terceiro quarto da partida contra o São José (Foto: Celso Pupo / Ag. Estado)

O carrasco estava lá outra vez, com os olhos brilhando. Doido para impor ao Flamengo o mesmo gosto amargo da temporada passada e exatamente na semifinal. São José tinha a confiança de quem já havia derrubado o tricampeão Brasília nas quartas, dentro da casa do adversário. Queria fazer o mesmo com o Rubro-Negro. Não desta vez.  Não na Arena da Barra. Neste sábado, Duda, Marquinhos e seus companheiros mostraram quem mandava naquele pedaço e escreveram um novo final para o roteiro. Venceram por 88 a 76,  fecharam a série em 3 a 2 e ganharam o direito de enfrentar o Uberlândia, que venceu a melhor de cinco contra o Bauru por 3 a 0, na grande decisão do NBB 5.
O palco vai ser o mesmo, já que o Flamengo foi dono da melhor campanha da fase de classificação da competição. A partida será disputada no próximo sábado, às 10h (de Brasília) e terá transmissão ao vivo da TV Globo e do SporTV. O GLOBOESPORTE.COM acompanha em Tempo Real, com vídeos.
No jogo do tudo ou nada, Duda Machado roubou a cena. Deixou o banco de reservas e passou a ser a melhor opção ofensiva, principalmente no terceiro quarto.  Dos 26 pontos anotados pelo ala-armador, 18 foram em bolas de três.  Além dele, o ala Marquinhos também se destacou com um duplo-duplo (13 pontos e 11 rebotes). Do outro lado, Murilo foi o maior pontuador, com 23.
- Quando o jogador sente que está indo bem nas bolas de três pontos, é bom arriscar mais. Agora é pensar na decisão contra o Uberlândia. Espero ajudar a equipe a sair com a vitória - disse Duda.
O clima de tensão que se esperava para a partida por causa da confusão no confronto anterior, não se confirmou em quadra. A briga foi na bola. Começou e terminou ali.
- Não entramos bem no terceiro quarto, erramos muito. O Flamengo foi bem e mereceu a vitória. Viemos aqui brigar pela classificação, mas sabemos que nada terminou por aqui e ainda vamos fazer história no NBB. Queria mandar um abraço para o São José e a torcida que sempre nos apoia - admitiu o ala-pivô Jefferson.
O jogo
Basquete Flamengo x São José (Foto: Alexandre Vidal / Flaimagem)
Olivinha pula para o arremesso na frente de Jefferson
(Foto: Alexandre Vidal / Flaimagem)
 

A recepção foi pouco calorosa. Assim que apontaram na entrada da Arena para o aquecimento, os jogadores de São José ouviram vaias. Nada que se comparesse às destinadas a Fúlvio. Diante delas, o armador reagiu com um sorriso. Sabia que seria assim durante todo a partida, depois das confusões nos jogos 3 e 4. Sabia também que o canto da torcida seria um combustível e tanto para o adversário. Se ela pedia para que a festa começasse, eles obedeciam.           
Primeiro foi Marquinhos. Depois, Kojo, Olivinha, Caio e Benite. O São José tinha trabalho para tentar frear os anfitriões. Do outro lado, Murilo e Dedé eram os únicos com a mão calibrada. Concentrado e com consistência nas duas tábuas, o time da Gávea abriu 21 a 15. Se não conseguia passar pela forte defesa, Laws arremessava de longe e diminuía para os visitantes. Murilo não tinha o mesmo problema. Partiu para dentro do garrafão e cortou a diferença para apenas um ponto e ela se manteve assim no fim do primeiro quarto: 23 a 22.
A virada de São José viria no comecinho do período seguinte. Mas durou pouco. Benite devolveu ao Rubro-Negro o comando do marcador (27 a 24) e no lance seguinte deixou a quadra par receber atendimento, ao sentir dores na parte posterior da coxa direita. Sem ele, e com apenas Marquinhos do quinteto titular em ação, o ataque do Flamengo não fluía mais como antes. A equipe desperdiçava ataques e Murilo & Cia tiravam proveito disso (38 a 32).
Era hora de tentar colocar ordem na casa. Tempo para o técnico José Neto. Aos pouquinhos, o time foi respondendo e com Duda. Não sem susto. Após converter uma cesta, o ala-armador voltou para o campo de defesa, escorregou e levou a mão ao joelho. Seus companheiros prenderam a respiração. Garantindo que estava bem, pediu para ficar em quadra e partiu para o ataque. Lá na frente, matou mais uma bola da linha de três, que ajudou o Flamengo se aproximar: 42 a 39.
Empurrado pela torcida, Flamengo embala
Na volta do vestiário, a torcida fez sua voz ainda mais alta. Pedia que o Flamengo fosse para cima. Ele foi. Com Kojo e Duda. Os anfitriões estavam no comando outra vez. Do banco, Benite vivia um drama. Queria voltar, mas era orientado a avaliar bem o tamanho da dor que sentia. Enquanto isso, seus companheiros lutavam, conversavam, buscavam os ajustes para manter as rédeas da partida. Para melhorar a situação, Murilo que tinha 16 pontos na conta, cometeu a quarta falta e foi chamado para o banco por Régis Marrelli.
Mesmo sem seu principal jogador e com a desvantagem de cinco ponto, o São José não se abatia. Fúlvio, até então zerado, fez sua primeira cesta e fez a equipe encostar (51 a 50). Mas passar... O Flamengo resistia à reação. Se a situação estava complicada era só procurar por Duda. De três, de bandeja, as bolas tinham endereço certo (66 a 57). Para completar, Marquinhos também deixou a sua, de três, no último segundo do terceiro quarto.  A torcida agradecia: 69 a 58.

Foi a senha para Murilo voltar ao jogo. Só que o São José pecava nos ataques e já se mostrava mais preocupado em reclamar com a arbitragem. Do outro lado, o adversário mantinha os nervos sob controle e foi construindo uma frente confortável (86 a 69). Os dois lances livres despediçados por Fúlvio eram o retrato do São José naquele momento. Não se encontrava, via o Flamengo dominar as ações. Ouvia a torcida cantar a vitória antes do tempo e gritar "Adeus, Fúlvio". Não havia mais o que fazer. A segunda vaga na final já tinha dono e era o time da Gávea.
- Chegar a uma final tem um sabor incrível. Depois de tanto treino, tanta dedicação e viagens, uma vitória como essa faz valer todo esse esforço - comemorou o ala Marquinhos, que nas últimas duas temporadas parou na semifinal.
Mesmo com a derrota e a eliminação no NBB, o armador Fúlvio, um dos pilares do São José, elogiou o esforço do seu time.
- Tenho muito orgulho dessa equipe, que superou diversos problemas na temporada e chegou até aqui, no quinto jogo da semifinal contra a melhor equipe da fase de classificação. Infelizmente, nos playoffs, se você tem a pior campanha você precisa jogar menos partidas em casa e isso, com certeza, fez a diferença nessa série.

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