sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Zico anuncia Jogo das Estrelas em tributo à Chape: ''Sob efeito da tristeza''

Zico concedeu entrevista coletiva nesta quinta-feira (Foto: Sofia Miranda)
Zico concedeu entrevista coletiva nesta quinta-feira no CFZ, ao lado de seu filho Júnior Coimbra (Foto: Sofia Miranda)
O clima ainda é de luto no futebol brasileiro e mundial. Diante da comoção e tristeza pela tragédia com o avião da Chapecoense, Zico anunciou que seu jogo de fim de ano, em 2016, também representará vítimas do acidente da semana passada. Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, o ex-jogador e técnico do clube indiano FC Goa, afirmou que as homenagens ao clube catarinense continuarão. O Jogo das Estrelas será realizado no dia 28 de dezembro, às 20h30 (de Brasília), no Maracanã. 
- Estamos sob o efeito da tristeza de tudo que aconteceu com o voo da Chapecoense. Perdemos tantos amigos de infância. Não vamos deixar passar em branco tudo isso. Sabemos que estão acontecendo muitas coisas, o mundo inteiro está sensibilizado, solidário. No nosso jogo não será diferente. Já tínhamos algumas homenagens preparadas, como a do Carlos Alberto Torres. Agora aconteceu isso. O Jogo das Estrelas tem esse sentido também de homenagem - disse Zico.
Com a morte de Carlos Alberto Torres, as homenagens ao Capita já estavam programadas. O filho dele, inclusive, foi convidado para o jogo. Com a tragédia da semana passada, o protocolo foi estendido. 

Organizador do evento, Júnior Coimbra, filho de Zico, disse que a renda será revertida para ajudar as famílias das vítimas da tragédia, além de instituições de caridade.

- A renda é toda revertida para instituições de caridade. Ficamos sensibilizados com algumas tragédias. Já ajudamos Angra, Mariana. Ajudamos alguns jogadores que estavam em dificuldade. Famílias do Washington, por exemplo. Não podemos deixar de atender algumas instituições, mas esse dinheiro vai ser revertido também para ajudar as famílias das vítimas da tragédia da Chapecoense. O que pudemos fazer para ajudar vamos fazer. 
O filho de Zico também anunciou alguns nomes praticamente confirmados para o Jogo das Estrelas. São eles: o argentino Sorín, o alemão Bernd Schuster, o uruguaio Loco Abreu, Renato Augusto (Beijing Guoan), Réver (Flamengo), Juan (Flamengo), Diego Souza (Sport), Camilo (Botafogo), Falcão (Sorocaba - futsal), Aldair, Muralha (Flamengo), Renato Gaúcho (técnico do Grêmio), Júnior, Sheik (Flamengo) e Richarlyson (FC Goa). 

Zico e Júnior disseram também que fizeram um convite formal para que o presidente do Atlético Nacional, da Colômbia, Juan Carlos de la Cuesta, compareça. E que o mesmo será feito com o presidente da Chapecoense, Ivan Tozzo. A ideia é chamar três jogadores de cada um dos dois clubes, que disputariam a final da Sul-Americana. Nas camisas usadas no Jogo da Estrela, o escudo da Chape será estampado, assim como aconteceu na decisão da Copa do Brasil, entre Grêmio e Atlético-MG.
Veja outros tópicos da entrevista coletiva de Zico:
Reação ao receber a notícia da tragédia

- Reação de você não acreditar naquilo que poderia ter acontecido. Eu estava em um fuso-horário de quase oito horas. O fato aconteceu aqui de madrugada. Bem difícil de entender. Ficamos em uma ansiedade muito grande, não querendo que fosse verdade o que veio de notícia depois. Eu, particularmente, perdi amigos. Como o Guilherme Laars da Globo. Que jogou com os meus filhos durante anos. O Mário Sérgio eu conheci moleque no Flamengo, jogamos juntos. Caio Jr. fez questão de me conhecer. Marcamos uma pelada. Ele me recebeu de maneira maravilhosa, me fez homenagem. Paixão foi meu preparador físico na Rússia. Chermont, Clement... Hoje recebemos uma notícia que o filho do Chermont quer entrar comigo em campo. No jogo. Foi uma pancada forte. Nunca perdi tantos amigos de uma só vez. 
Homenagem dos colombianos

- Futebol tem essa missão. Não é necessário que aconteça uma tragédia como essa para aprendermos isso. Em nada me surpreendeu a atitude dos colombianos. Só quem vai lá sabe o amor que os colombianos têm pelos brasileiros. Vou a Colômbia desde 1971. Um dos maiores medos de avião que eu tive foi lá. O avião entrava entre dois morros, de lado. Só podia aterrissar até 16h. Parecia que a asa ia bater. Eu estranhei o acidente agora. Os colombianos eram festa o tempo todo para nós, recebendo a gente. Igual a Colômbia não tem na América do Sul país que reverencia tanto o futebol brasileiro. Deram uma lição para o mundo inteiro. Temos que pegar essas coisas boas e seguir adiante. 
Sobre a última rodada do Campeonato Brasileiro

- É um caso ímpar aqui no Brasil. Eu acho que fizeram muito bem em adiar. Não havia clima para ter seguimento naquele período. Mas acho que agora, até para tentar dar uma melhorada no ânimo, pode seguir em frente. Vamos seguir em frente. As pessoas vão estar ainda sob tensão, sobre emoção. É uma última rodada, alguns clubes ainda estão pleiteando alguma situação. Não via nenhum sentido em ter o jogo da Chapecoense, mas os outros eu acho que devem acontecer sim.
Possibilidade de o jogo ser realizado em Chapecó

- Amigos perguntaram se eu poderia fazer o jogo lá. Esse jogo requer um tempo para organizar. É muita coisa que está envolvida. começamos a organizar em agosto. Não podemos organizar sob o clima de tensão, emoção somente. Quem sabe para o futuro isso possa vir a acontecer. 
Declaração do Renato Gaúcho, após a conquista da Copa do Brasil, de que "não precisa estudar para saber futebol"

- Futebol não se estuda mesmo não. Eu estudei matemática, português, geografia, história. Futebol a gente aprende. Você precisa estar em dia com uma série de coisas do futebol. O cara que estuda futebol vai me ensinar a fazer gol? Não vai. Estratégia não precisa de estudo, precisa de visão. Estar em dia. Perdemos tempo assistindo aos adversários, a jogos. O problema é aquele que não vai em campo, não vai a treino e diz que estudar é o que é importante. Você vai jogar de sapato? O cara vai ensinar os esquemas táticos? Isso aí você trabalha de acordo com o que você vê de futebol. Não é o cara que estuda que sabe mais ou menos. Eu não vou estudar futebol nunca. Eu estudei o que eu tinha que estudar. O futebol é aquilo que aprendi com treinadores do mais alto nível, de ver e comentar jogos, de ir para o estádio, olhar para as jogadas. 
Condição física para atuar no Jogo das Estrelas

- Na hora a gente vê, não tem jeito. Toma um remedinho pro joelho não doer (risos). Eu até que estava caminhando um pouco lá na Índia, perdi uns quilinhos. Agora é se preparar aqui e ter tempo. Importante é a festa. Me derrubaram com a vinda do Ademir com 72 anos.

Por Rio de Janeiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário